sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Admiração




eu acho é bonito e claro
quando começas a me contar
sobre as ranhuras
dos teus dias mais antigos.
parece que há
um pássaro daquele tempo
pousado sobre teu ombro.
e ele murmura gentilezas,
e lembra tuas primeiras fadigas
e teus sonhos mais gigantes.
te convence
até da beleza sísmica das avalanches.
que os movimentos bruscos,
mesmo que oscilantes
só são barulhentos
para dentro de uns.
e te garante ainda,
este mesmo teu pássaro,
da existência de um poço
de água muito clara,
límpida mesmo,
aonde sempre dá
de gente como nós
afogar uma
ou outra mágoa forte.
e o infortúnio
que deve de ser
ter que esquecer,

quanto

já fomos
sinceramente
felizes.



9 comentários:

Alex G disse...

Valéria, Valéria, a admiração é minha!
Quanto mais a surpreender, heim mulher?
Parabéns, muito sucesso para essa sua prosa, poema, que tem receita certa, pra gente ser bem mais feliz. Viu, até eu fico poeta quando falo contigo! Um beijo, minha querida Val, do teu amigo, Alex G

Moacy Cirne disse...

Oi, você é uma danada de "água muito clara"... e de versos precisos. Beijos.

mario cezar disse...

a palavra tem modos de pássaro

mario disse...

sim valéria. outro dia eu disse: teu olhar é uma oração . emerge de cacos (esquecidos)

héber sales disse...

eu trouxe minha saudade pra cá
e me alumbrei com esse poço
de água sempre muito clara.

legal esse blogmusik, né?
meu problema é apenas
que a música me distrai,
demais!

*e tome beijo*

Fabrício Brandão disse...

Amada,

Sabia que quando li a coisa do poço, fiquei lembrando de "Há Tempos", quando Renato Russo fecha aquela idéia toda à base do "... lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa."? Pois é, olha que sentimento belo você coloca aqui quando nos lembra dessa dualidade sempre presente em nossa vida. E daí, unindo as duas forças, quem de nós se atreve a macular a face límpida desse poço que escondemos nalgum fundo nosso??

Beijos pela emoção que é sempre intensa ao ler tuas linhas!

Luiz Tato Zonzini disse...

fico reflexo na água de poço, perguntando qual era a profundidade. se a pedra que cai faz barulho batendo e qual mesmo era o fundo, qual era aquele barulhinho, oco ou macio (eu não sei) oco ou o que, se no começo dela deve ter uma bica ou o quê, se no final dela o que tem senão pinga pinga pinga.

Analuka disse...

Linda, leve, delicada, clara, nostáliga, tocante, bela, cristalina, alada, merecida homenagem a Mario Coivara!...
Val, um prazer ler tuas linhas, descansar os olhos em teus bordados, teus fios de luz e ternura! Beijos.

Analuka disse...

Onde andará esta alma leve???...
Saudades, Val. Beijos alados.