quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Ele


ele me borda.

se assombra com o que eu sonho
como se sonhar não fosse dele.

ama toda minha conversa
me inspira lantejoula,
miçanga, fita, babado
e claro, fuxico.

eu vivo só pra contrariar o gosto dele.
pra adulterar o cheiro dele.
pra enganar seu paladar.

pra ele eu solto cabelo
alças
laços
e desfilo.

por ele eu corro mais de muitos quilômetros
pra chegar desarvorada,
atrasada,
sem sangue no rosto safado,
descalça
cheia de vida
e nua.

o que amo está nele
e a maioria já tocou,
viu, sentiu, percebeu.

esse homem tem a alma misturada.
coisa meio vintage,
retrô, vanguarda,
sei lá.

como eu,
está entregue às buscas.
com toda a carga que transporta a alma
de quem é mix e ainda precisa ser sério,
profissional, único.


Loucos são seres Lourenços.

[porque nunca é nada, tudo jamais será
um vão.]

6 comentários:

Rosângela Cunha disse...

"o que amo está nele
e a maioria já tocou,
viu, sentiu, percebeu".

Poema perfeito, adoraria tê-lo
escrito! Mas você escreveu
primeiro, rs! Parabéns!
Adorei o poema. Ainda vou
enviá-lo pra alguém algum dia.
Abraço!

Val Freitas disse...

faça uso dele, Rô. eu acho incrível receber poesia... :)

Loba disse...

Val, depois de ler a série anterior e este poema, resta perguntar: cadê seu livro? Ainda não saiu? Ou eu é que nem sei dele?
Ah... orkut nunca foi nada pra mim, mas depois dos poemas tou achando que eu é que nunca fui nada lá. Acho que vou me repensar! E andar mais por lá! rs...
Beijo!

Val Freitas disse...

Lobita. o livro vive. mas não impresso ainda. sim, eu quero muito que seja você a pensar no caso. quero a sua revisão, seleção, conversação, espiação, tudo. :) conversaremos. tenho escrito muito, publicado pouco. os blogues continuam sendo um campo para semeadura. gosto muito disso tanto quanto antes. beijos de boas vindas e falas! :)

Rosangela Cunha disse...

Quando puder, vá ver o teu poema
no meu blog. Beijos!

Val Freitas disse...

ei, Rô...já fui sim. nossa! chique demais estar em outro lugar. obrigado pelo carinho! :)